Login Member Password

Parede em taipa

Vila Ruiva, Beja ©Pedro Abreu, 2008

Corte de Blocos de Laterite

Goa, India ©Angelo Silveira

Extracção de Laterite

Goa, India ©Angelo Silveira

Glossário

Abóbada

Cobertura côncava constituída por blocos aparelhados de BTC, adobe, pedra, betão ou tijolo burro. A criação da abóbada é definida pela translação de um arco e pode ter diversos tipos de traçados, recebendo várias designações segundo o seu perfil, as suas faces e elementos.
Deste modo, a abóbada pode ser cilíndrica, cilíndrica helicoidal, de luneta horizontal e descendente, de aresta ou cruzeiro, de barrete ou clérigo, de pendente, ogival, de cúpula esférica, entre outras formas.

Adobe

Bloco de terra argilosa moldado no seu estado plástico e seco ao Sol; material de construção cuja técnica de manufactura consiste em moldar sem compactar, terra com ou sem molde. A mesma designação é utilizada para a técnica construtiva que pode ser utilizada na construção de paredes, arcos e abóbadas, geralmente revestidas com reboco. Quando é necessária estabilização, por a terra não apresentar o teor de argila ideal, é comum juntar-se cal aérea no caso de a proporção de argila ser baixa ou fibras vegetais no caso de ser excessiva.

Adobeiro

Mestre produtor de adobes.

Agulha

Peça comprida em ferro ou madeira, que sustenta os taipais ao longo do processo de construção da alvenaria de taipa.

Alvenaria

material aglomerado numa parede, dando origem a alvenaria de tijolo, de adobe, de taipa, de pedra, etc

Argamassa

Material composto por ligante e inerte, que liga os materiais entre si.

Baldosa

Tijoleira fina quadrada, utilizada no pavimento interior.

Barro

Massa criada pela mistura de terra argilosa e água.

Beiral

Também denominado "Beirado"; é a fiada inferior de telhas nas águas de um telhado e tem como objectivo proteger o topo da parede.

Bloco de Terra Comprimida

Também denominado BTC ou Bloco de Terra compactada; material de construção em terra desenvolvido pela primeira vez nos anos 70, na Colombia, trata-se de um Bloco de Terra prensada por meio de prensa mecânica, cuja manufactura, semelhante à taipa, consiste em prensar ou compactar terra no seu estado húmido, neste caso dentro de uma máquina/prensa de BTC.

Blocos apiloados

Material de construção em terra, cuja manufatura consiste em comprimir terra dentro de um molde com um pequeno maço. Em Portugal são designados de adobes.

Blocos prensados

Blocos ou unidades obtidos por corte de solo superficial de características minerais ou orgânicas que apresente boa coesão. Pode dar origem ao uma pequena "pedreira" de extracção de blocos para a construção. Caso dos blocos de laterite.

Caiação

Pintura com aguada de Cal numa mistura homogénea, utilizada como acabamento directamente sobre a taipa ou sobre o reboco.

Caiação de Terra

Aguada de terra numa mistura homogénea ou ligeiramente granulosa utilizada como acabamento directamente sobre a taipa ou reboco.

Cal Aérea

A cal aérea resulta do aquecimento de pedra calcária em fornos, a uma temperatura que varia entre os 600ºC e os 800ºC. Deste processo de calcinação resulta a cal viva, popularmente conhecida como «cal virgem».

Para ser utilizada, a cal viva (ou óxido de cálcio) tem de ser «extinta» ou «apagada», o que se consegue juntando-lhe água. Essa mistura provoca uma reacção exotérmica e leva à formação
de hidróxido de cálcio.

Depois de extinta, a cal aérea torna-se solúvel em água. Consoante a maior ou menor concentração de cal na água obtém-se: cal em pasta, leite de cal e água de cal.

A cal em pasta (ou pasta de cal) usa-se nos estuques e nas argamassas e para «estanhar a cal», técnica que consiste em aplicar cal em pasta num reboco no dia em que este é executado.

O leite de cal serve para a caiação e como base das tintas de cal, a que se juntam pigmentos para se obter a cor desejada. A água de cal utiliza-se nas argamassas, com o objectivo de acelerar o «tempo de presa». Também serve para a consolidação de alvenarias de tijolo e pedra.

Caniço

Espécie de cana utilizada como forro nas coberturas alentejanas, entre a telha e o vigamento de madeira. Tradicionalmente estes barrotes eram estruturais e sobre a cana assentava directamente a telha. Hoje em dia, por questões de conforto, introduz-se isolamento térmico sobre o caniço e cria-se uma caixa-de-ar entre o tecto e a estrutura onde assenta a subtelha e a telha.

Cimalha

Apoio no topo das paredes, em geral em adobe ou tijolo, que permite aumentar a projecção exterior do beiral.

Contrafortes

Também denominados "gigantes"; são elementos exteriores ao edifício, geralmente em alvenaria de pedra, com função de reforço estrutural que contrariam a força horizontal de derrube e consolidam a parede exterior.

Costeiros

Também denominados "Costaneiros"; prumos de madeira colocados no exterior do taipal, que encaixam nas agulhas e que, em paralelo, permitem a amarração e prumo do taipal.

Cucharro

A pessoa que transporta a terra e a deita no interior dos taipais.

Cunhais

Esquinas dos edifícios feitas de modo geral em alvenaria ou em taipa entrecruzada.

Côvado

Medida islâmica/medieval de carácter sagrado e módulo dimensional privilegiado de várias civilizações, correspondendo à distância anatómica do cotovelo à extremidade do dedo médio. A sua medida varia conforme o sistema metrológico, sendo mais constantes as medidas próximas dos 0,525 m. Como unidade linear do sistema craveiro da tradição portuguesa subdivide-se em 2 pés ou em 3 palmos craveiros e equivale a cerca de 0,66 m. A sua origem perde-se no tempo, sendo que todo o sistema de medidas muçulmano que chega à Peninsula Ibérica se baseia no côvado. As medidas mais usuais estão compreendidas, por um lado, entre 0,41 e 0,48, por outro rondam os 0,51m. Na metrologia hispano-árabe, no entanto, era frequente encontrar o côvado comum ou côvado mamuni com 0,47m, ou o côvado mediano identificado com o côvado rassasi de 0,572m. De modo concreto, este designa também a peça estreita, em ferro ou madeira, com a dimensão da espessura da parede, que se coloca no interior e topo superior entre taipais, com dupla função: a de garantir que os mesmos permanecam paralelos ao longo do apiloamento da terra e, após a sua remoção, a de criar um orifício na alvenaria de taipa onde será introduzida a agulha que sustentará os taipais na fiada seguinte.

Empena

Parede lateral que vai até à cobertura; o triângulo final, que suporta as duas águas, tem igualmente a mesma denominação.

Esticadores

Também denominados de "gatos"; são tirantes de aço ao nível do frechal, que consolidam duas paredes exteriores opostas.

Formigão

Argamassa pobre em cal, à qual por vezes era adicionada terra, com inertes diversos desde pequenas pedras, areias e outros, utilizada em enchimento de estruturas e empregue em pavimentos; aglomerado semelhante ao betão em que a cal substitui o cimento; argamassa constituída por uma parte de cal para uma e meia de areia fina que se aplica no terreno batendo-a levemente com um pilão para formar um pavimento que era muito usado no Alentejo.

Frontal

Também denominado "Comporta"; peça desmontável em madeira, que encaixa nos taipais, de dimensão quase quadrada com cerca de 50cm de altura e 50cm de largura, podendo esta tomar outras dimensões consoante a espessura da parede. No processo tradicional de construção da parede de taipa o primeiro bloco faz-se com o frontal num dos topos, pisa-se a terra em rampa e invertem-se os taipais colocando o frontal no outro topo para completar o bloco. Existindo dois frontais pode executar-se o primeiro bloco de uma só vez. Nos blocos subsequentes é necessário apenas um frontal.

Guarda-pó

Pranchas de madeira, entre as telhas e o vigamento.

Latada

Estrutura que  sustenta a vinha (ou melhor o conjunto da estrutura e da planta), que se colocava sobre a zona de entrada dos edifícios permitido a existência de um espaço de sombra para descansar, contemplar a paisagem ou a realização de pequenos trabalhos ao ar livre à sombra.

Maço

Também denominado "Pilão" ou "Pisão"; malho de madeira, com o qual se compacta a terra no interior do taipal.

Parede Pombalina

Estrutura de madeira com elementos verticais e horizontais, membros internos cruzados em X (cruz de Sto André) e distintos enchimentos. Estas paredes integram-se num sistema em gaiola, de armação anti-sismica desenvolvida em particular no Centro e Sul de Portugal depois do terramoto de 1755.

Piorno

Palha de giesteira selvagem.

Poial

Murete em pedra junto à base da parede exterior como banco de descanso, permitindo também a consolidação e protecção da parede.

Postigo

Janela incorporada na porta; no caso das habitações rurais alentejanas era muitas vezes a única abertura que permitia a luz aceder ao interior.

Reboco

Material composto por ligante e inerte que protege a parede.

Saibro

Material natural composto por terra arenosa com argila; é frequentemente utilizado no Norte do país como argamassa entre a alvenaria.

Soco

Também denominado por "embasamento"; é a parte superior à fundação que reduz a humidade ascendente (capilaridade).

Tabique

Parede em estrutura de madeira e/ou caniço, fasquiada, preenchida e revestida com argamassa de terra, cal ou gesso. Torchis em francês.

Taipa

Técnica construtiva de paredes monolíticas em terra, que consiste em compactar terra previamente humedecida, com maço/pilão, ou com recurso a meios mecânicos, no interior de uma cofragem de taipais. Denominada Pisé em francês, Rammed earth em Inglês, Stampflehm em alemão e Tapia em espanhol, a Taipa de pilão é o termo relativo à taipa utilizado no Brasil. No sul de Portugal, até aos anos 50/60 do século XX, a taipa foi a técnica construtiva mais utilizada, podendo ainda encontrar-se nesta região inúmeros exemplos de património construído em terra.

A fácil acessibilidade ao material e a as questões relacionadas com a sustentabilidade, o conforto térmico e a eficiência energética dos edifícios, confere actualmente à taipa uma nova imagem e esta começa a revelar-se vantajosa em relação à construção corrente. A utilização de paredes em taipa permite regular o clima interior dos espaços, mantendo a temperatura e a humidade relativa dentro dos níveis ideiais de conforto, dificultando a entrada de calor no Verão e no período de Inverno, as paredes dificultam a saída do calor devido à elevada inércia térmica da terra, resultante da sua espessura (geralmente superior a 50 cm) e das características da terra.

Taipa Militar

Taipa muito dura utilizada nas fortificações muçulmanas da península ibérica. É constituida por cal aérea, pozolanas naturais e agregados.

Taipa de fasquio

Técnica construtiva de paredes que consiste numa estrutura de madeira com prumos e tábuas, na qual se prega um ripado preenchido e revestido com argamassa (de terra, cal e gesso).

Taipa de rodízio

Técnica de construção de paredes que consiste numa estrutura em madeira, cujo o interior é preenchido por adobes, tijolo ou pedra argamassada.

Taipal

Peça que faz parte da cofragem para a realização da taipa. São pranchas longitudinais desmontáveis em madeira ou noutro material, com as dimensões aproximadas de 2,00mX0,50m. No mínimo são necessários dois taipais colocados em paralelo. A totalidade da cofragem é também designada por taipal. 

Taipeiro

Mestre que domina a técnica da taipa.

Talisca

Brita de Xisto.

Telha de aba e canudo

Também denominada Telha lusa; telha mecânica desenvolvida em Portugal nos anos 50, composta pela junção de telha plana com telha de canal.

Telha de canal

Também denominada por telha de canudo; telha tradicional antiga que apresenta forma em meia cana.

Telha marselha

Telha mecânica de origem francesa, introduzida em Portugal no final do século XIX.

Terra empilhada

Técnica construtiva monolítica de elevação de paredes que consiste em empilhar em fiadas, molhes de terra com palha, posteriormente aparadas por corte vertical. Bauge em francês.

Terra modelada

Técnica construtiva de paredes que consiste em moldar terra no seu estado plástico em fiadas.

Tijolo burro

Tijolo cozido de dimensões estreitas, característico da construção tradicional. Nalguns locais também é conhecido por "adobe", criando por isso alguma confusão terminológica.

Torre Albarrã

Originária da palavra árabe Al-barrãni, que significa exterior. São torres destacadas das muralhas das fortalezas e unidas a estas por uma passagem superior sobre um arco ou por um pano de muralha. Podemos encontrar este tipo de torre, por exemplo no Castelo de Paderne, .

Torrões de Terra

Blocos ou unidades obtidos por corte de terra vegetal coesa, disponível em depósitos superfíciais. Depois de secos são empregues na elevação de paredes.